A pressa é inimiga da perfeição

Iphone - Unicórnio da perfeição

Iphone, símbolo da perfeição, o unicórnio que só as virgens podem tocar. Um hype imenso em cima de um telefone revolucionário que pode afundar os conceitos da apple em inovação e marketing.

O marketing do iphone fez dele um hype muito mais cedo do que deveria, parecem ser intermináveis dias de espera para tocar nesta touch screen. É essa parte que pode afundar a apple. Nunca é bom criar uma espectativa maior do que deveria, e isso não teria acontecido se os dias de espera até o lançamento do Iphone fossem menores.

Eu me lembro de um filme que minha namorada e eu tinhamos ouvido falar, chamava-se “como perder um homem em 10 dias”. Uma daquelas comédias românticas clássicas. Ficamos um mês tentando alugar o filme, todo mundo que assistia dizia que era ótimo mas quando finalmente conseguimos alugar, tinhamos uma espectativa maior do que o filme poderia satisfazer, o que acabou fazendo com que achassemos o filme ruim.

E pior: Apple parece estar correndo para terminar o iphone, sinal de que poderemos mesmo ter problemas no software do celular.

A Apple já falhou no lançamento errado do Safari, antes de que pudessem corrigir erros banais como a página do google desconfigurada. Se falhar mais um lançamento corre o risco de não ser mais aquela empresa que inventou o ipod e faz da inovação tecnologica seu combustível. Pelo menos não para seus consumidores.

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O que faz uma grande marca?

Para um designer já lhe vem a cabeça: Cor, formas. Ta mais qual o conceito? Não existe.

Pense, você mora hoje no Brasil, em 2007. Conhece computadores e faz suas “logos” no corel ou outro programa vetorial. A maioria das grandes marcas que vc conhece foram desenhadas a mão num pedaço de papel, não existiam “fontes” do windows para te ajudar nas formas, nem uma tabela com infinitas cores para escolher. Não haviam sites, mal livros coloridos exitiam.

O máximo que você poderia ter de conceito de cor naquela época, era o que vc conhecia de artistas que pintavam quadros. Mas aí do que adiantava uma linda marca colorida, se vc não poderia veicular ela em lugar algum com cores? Os jornais e impressos em geral eram preto e branco, a tv também.

Será que se você visse hoje um post num fórum qualquer com esse logo:coca-cola

Você iria achar bonito? Se você pensar, o jeito que o logo da Coca-Cola foi feito vai contra todos os padrões que utilizamos hoje. Dificilmente você ve uma nova marca com letras cursivas.

É estranho e doido que você poderia achar essa magnífica marca, bem feia. Eu acharia, sinceramente.

Mas aí que entra a pergunta do título deste post, o que faz dessas marcas, grandes marcas? É simples e complicado ao mesmo tempo.

Simples porque basta você saber criar um conceito que emita uma sensação ótima no seu produto. A Coca-Cola por exemplo sempre investia na refrescância do seu produto, em algo que você nunca havia experimentado igual. Isso convenhamos não é dificil, é uma bebida, logo lhe vem o conceito de refrescancia.Mas o complicado é que só isso não basta. Não bastaria ter feito uma linda marca se seu produto não correspondesse em qualidade. Acima de tudo o procuto tem que ser otimo para ser um sucesso.

E de preferência algo novo. Até por isso a muito tempo não vemos surgirem grandes marcas em setores como o automotivo, alimentício… São setores que estão lotados de marcas que um dia revolucionaram o setor, e com isso fizeram a sua marca. Digamos que existe sim o que inventar, mas com tudo isso já inventado, é mais facil reinventar a “bola” do que criar algo novo.

A ultima grande revolução que tivemos foi a da informática e da comunicação. Como exemplo clássico cito a Apple.AppleA vitória de Steve Jobs foi ter criado um conceito “inovador” como marca. A marca da apple é jovem e clássica ao mesmo tempo. Ela te causa desejo como a coca-cola causava e ainda causa.

Você sonha ter um notebook com uma maçã acesa nas costas, assim como você sonhava com uma coca gelada depois de uma corrida ou um dia quente.

Na minha opnião o grande erro de uma agencia ao criar uma marca é se preocupar mais com o seu desenho e cor do que com seu conceito. Não adianta me dizer que o vermelho é cor da fome.. isso é ultrapassado, sinceramente. Você tem que associar o conceito a forma, como a coca fez.

Na época do “Quadradão” que ela vivia, onde inovação era algo triangular, ela fez linhas leves e longas. Que combinam perfeitamente com o líquido, leve.

Não adianta uma empresa de petróleo fazer um logo com letras “leves” não combina no conceito, por mais bonito que possa ficar.

Essa semana vi aqui em minha cidade uma coisa grotesca, daquelas que te faz pensar: “não acredito que pagaram para fazer isso”. Um escritório de contadores com seu nome escrito numa fonte estilo “comic sans” e um contorno de “face humana”. Eu bati o olho e pensei na hora que era uma clínica de estética ou um salão de cabelereiros. Não existe maneira de você ter vontade de confiar seu imposto de renda a contadores vendo uma placa destas.

Eu sou adepto das marcas que misturam loucura e conceito. O design da marca tem que ter a ver com o conceito, mas sem a loucura você não vai criar nada novo. Vai fazer um logo de dentista com um dente, mercados com um carrinho. A marca não precisa ter uma figura para demonstrar o que ela é, você tem que saber passar o conceito pelo design.

Todo designer tem seu lado louco. Escute uma boa música e metralhe seus pensamentos numa tela. Depois, adapte sua loucura ao conceito. E use o briefing para isso.

Pode parecer a coisa mais obvia do mundo, mas nunca é demais colocar no papel suas ideias, assim como coloquei as minhas aqui, no papel virtual.

Design, Propaganda, Marca, Marketing, Publicidade, Sucesso

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